Publicações e Atividades

Direito à autodeterminação na Intervenção do Serviço Social – uma reflexão

Glória Ferreira
Assistente Social do CHTS

2021-10-25

A auto-determinação é um dos princípios fundamentais dos direitos humanos e significa autonomia, livre arbítrio e auto-responsabilidade.

Na abordagem ao doente este é considerado o elemento central de todo o processo de intervenção do Assistente Social, sendo necessário saber ouvir e respeitar as suas vontades, sempre que o mesmo esteja em condições de o fazer.

Como humanos que somos temos tendência a fazer juízos de valor, somos moralistas, e na nossa prática profissional esse é um comportamento a evitar.

A infantilização dos idosos, remetendo para as famílias a tomada de decisão, é outro dos comportamentos que o Assistente Social tem que combater, incentivando ao envolvimento do idoso enquanto elemento central de toda a intervenção. Nas situações em que este não está capaz, a família é orientada para requerer o Estatuto do Maior Acompanhado, de forma a assegurar a sua representação legal.

É com frequência que os familiares se dirigirem ao Serviço Social para solicitar a integração em respostas sociais. É nosso procedimento questionar a vontade do doente e agir em conformidade. Podemos por vezes não concordar com as suas decisões, mas cabe-nos informá-lo das alternativas existentes, vantagens e implicações das mesmas. Trata-se de um processo de capacitação.

Temos que saber ouvir e aceitar. Não basta encontrar soluções, há que encontrar respostas que vão de encontro aos desejos do utente, sempre que isso seja possível. Muitas vezes a resposta encontrada não é a ideal, mas sim a possível, até porque a integração em lar é cada vez mais difícil e morosa, o apoio domiciliário nem sempre responde às necessidades dos utentes, para além dos constrangimentos quando o doente não se enquadra nas respostas dirigidas à 3ª idade.

O indivíduo quando fica internado no hospital não deve perder a sua identidade, tratando-se de um sujeito de direito, com a sua história, a sua família e as suas crenças e valores que devem ser respeitados.

Um doente não é só um doente… ele é o avô, o pai, o filho, a vida de alguém…

“Tudo pode ser tirado de uma pessoa, exceto uma coisa: a liberdade de escolher a sua atitude em qualquer circunstância da vida.” (Vitor Frankl)

Um olhar para trás

 

Como posso analisar a prática dos assistentes sociais, na saúde, sem olhar para o passado e, naturalmente, para o início da minha carreira como assistente social, no início dos anos 90, já muito no século passado?

Muitos dos colegas recém-licenciados, provavelmente, questionar-se-ão como foi o desenvolvimento da prática profissional, sem a tecnologia de informação da atualidade. Sem qualquer dúvida que, para além de ferramenta fundamental no trabalho do dia a dia, permite, sem dúvida, um facilitismo, sem precedentes, na divulgação de formas de comunicar, de resolução de situações, problemas e até mesmo de permitir uma intervenção em termos globais.  Tudo isto, e muito mais, é possível com o apoio das tecnologias.

Mas, esta geração, após a banalização do uso e abuso da informática, da internet, das redes sociais não estará a esquecer-se de alguma coisa?

Para esta geração, o exercer a prática profissional antes de toda esta revolução tecnológica é quase uma coisa inimaginável, jurássica, diria, pois não conseguem, grande maioria, fazer o exercício mental de como foi trabalhar sem uso da tecnologia atual. Até podem tentar, mas não chegam lá, só me entende quem passou pela mesma experiência que eu…fomos muitos e ainda continuamos a ser muitos.

Já se percebeu que pertenço ao grupo de profissionais que iniciou carreira e laborou muito antes de ver o seu gabinete apetrechado com um computador que, sem dúvida, revolucionou o modus operandi do quotidiano da minha prática.

Não pretendo criar um grupo de fundamentalistas contra o avanço tecnológico e o seu uso profissional, de maneira nenhuma. Apenas que se reflita se, hoje em dia, o facto de estarmos tão embrenhados nesta teia eletrónica nos esqueçamos do nosso verdadeiro papel, como profissionais, de excelência, na relação interpessoal com pessoas. Sem a realização do atendimento presencial e a praticabilidade das velhas metodologias da linguagem verbal e não verbal, certamente, corremos o risco de não formular o verdadeiro diagnóstico social e, consequentemente, não realizar o melhor encaminhamento da situação.

Deixo em jeito de reflexão estas simples questões:

Será que olhamos mais para o computador do que para o doente e seus familiares?

Será que, de forma automática, atendemos os telemóveis, quer pessoais, quer profissionais, no decurso de um acolhimento, por vezes, sem dar conta disso?

Teremos mesmo consciência de que é mais fácil enviar um e-mail do que contactar pessoalmente a pessoa?

Muito poderia acrescentar a esta lista.

Apenas pretendo que se reflita se não teremos que olhar para o passado e, por momentos, pensarmos que estas ferramentas não existem e exercer, apenas por um dia, como muitos de nós fizemos, quando abraçámos esta profissão, o nosso trabalho, sem as utilizarmos.

Com certeza, vamos olhar mais para os olhos do doente e seus familiares, vamos fazer uma escuta mais ativa, vamos processar mentalmente as informações recolhidas e por os “pés a caminho”, passo a expressão, e falar pessoalmente com todos aqueles que vão ser peças fundamentas na resolução e orientação da situação

Tenho aprendido muito com esta nova geração, uso e abuso de todas as tecnologias que o meu local de trabalho me facilita, mas consigo ter consciência de que falha muito em termos de proximidade com as pessoas, e a pandemia e o teletrabalho fizeram emergir uma geração de assistentes sociais  que adotou o teletrabalho  como uma nova forma de  exercer a sua atividade, aparentemente cómodos e pergunto: não estaremos a desvirtuar todo o percurso que se fez para reconhecimento da nossa prática em saúde e os ganhos adquiridos, não se poderão perder?

Lanço um desafio! Façam este exercício com rigor, nem que seja por um dia para perceberem que, afinal, também se fazia um excelente trabalho!

Com tanto progresso, tantas ferramentas eletrónicas ao dispor, tanta informação disponível, tantos trabalhos científicos publicados, relembro que, ainda hoje, recorro aos meus mentores da minha formação académica e do meu percurso profissional inicial, para auscultar a suas sabedorias e é sempre de extrema utilidade o que aprendo com os colegas que me ajudaram a moldar o meu perfil profissional.

Aproveito para os homenagear e agradecer-lhes o que me ensinaram. Sem eles teria sido tudo muito mais difícil.

Ainda hoje, apesar do cargo de direção que exerço, mas com atividade assistencial em paralelo, me permito, com humildade, dizer que, quando sou assistente social no hospital, me entrego por completo e tudo o que alcanço, mesmo que seja muito menos do que esperaria, é sempre gratificante.

Os meus parabéns a todos os colegas que, cada vez sendo mais difícil, ainda acreditam que são agentes fundamentais no apoio holístico ao doente e continuam a exercer a sua profissão com dignidade e convictos da importância do que fazem.

Maria João Correia

30/04/2022

Há experiências que nos marcam para sempre!

 

 

Em 2014, a nossa Equipa Intra-hospitalar de Suporte em Cuidados Paliativos estava a dar os seus primeiros passos, e, na sequência do processo de implementação, era exigido que todos os elementos da equipa permanecessem um período de duas semanas num serviço de Cuidados Paliativos. O meu estágio foi no Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital de S. João.

Foi, essencialmente, um estágio de observação, no entanto, e, embora curto, revelou-se intenso e enriquecedor.

Desde o meu desespero inicial, por ter demorado quase uma hora a encontrar o serviço naquela imensa e labiríntica instituição hospitalar até, finalmente, ao sentimento de enlevo com que regressei ao CHTS, foi toda uma oportunidade de crescer enquanto profissional, mas também enquanto pessoa, de desenvolver a capacitação tão fundamental em quem intervém em ambiente de prestação de cuidados paliativos.

Assisti à rotina diária da equipa nas valências de que, na altura, já dispunha: consultadoria no internamento, consulta externa, apoio através de linha telefónica e consulta domiciliária, embora nesta última, por se tratar do espaço privado do doente, não me foi permitido acompanhar a equipa nestas visitas.

As equipas intra-hospitalares de suporte em cuidados paliativos existem para prestarem aconselhamento diferenciado aos profissionais e aos serviços do hospital, aos problemas decorrentes de uma doença grave, prolongada e/ou progressiva, em que a centralidade da sua ação é colocada na dimensão do apoio psicossocial ao doente e família.

Há oito anos, ter-me deparado com esta filosofia em que o objetivo não é curar uma doença, mas cuidar da pessoa doente e ajudá-la a viver a sua vida, aliviando-lhe a dor e outros sintomas geradores de sofrimento, pretendendo oferecer o máximo bem-estar à pessoa doente e à sua família, independentemente do tempo de vida que lha resta, teve um impacto em mim que eu achava já não ser possível ao fim, na altura, de 25 anos de atividade profissional.

Presenciei a proximidade ao doente e seus familiares, em que a linguagem sensitiva e a comunicação pelo toque, expressão, atenção, olhar são, naturalmente, intrínsecos em todos os elementos da equipa.

E as conferências familiares? Com frequência, atendimentos demorados, onde se respeita o tempo da família. Mas também porque a equipa pretende conhecer o doente, a sua linha de vida, as suas relações no seio familiar e fora deste, e, acima de tudo, a sua perspetiva em relação à doença, dificuldades e o que pensa fazer.

Esclarecem-se dúvidas da família, mas também se dá espaço à verbalização de anseios e dá-se tempo para organizar ideias e, até, sim, para falar da morte.

O tempo, nesta equipa, tem outra duração: é o AQUI e AGORA, com ESTA pessoa doente e com ESTA família!

É a dignidade da pessoa doente que importa, respeitando-se os valores e as vontades. Dá-se lugar ao doente para expressar emoções e perspetivas de vida. A disponibilidade dos elementos da equipa é clara. “Estamos aqui para ajudá-lo”, insiste-se, serenamente. Às vezes, apenas, ESTÁ-SE COM o doente. E, se for esse o seu desejo, apenas se partilha o silêncio.

A comunicação com as famílias e cuidadores ascende a um nível que até à data nunca tinha presenciado.

– “Qual é a melhor altura para o seu pai regressar a casa?” – ouço o médico a questionar, por telefone, a filha de um doente com alta.

Só tem sentido programar a alta com a colaboração da família. A família não está em segundo plano, mas sim ao lado do doente, sendo, por isso, apoiada e acarinhada.

Nesse período, a equipa do HSJ encontrava-se a desenvolver um programa para cuidadores dos doentes oncológicos paliativos, projeto no qual se pretendia, para além de aquisição de competência e de conhecimentos, que os cuidadores usufruíssem de terapias de bem-estar para redução da exaustão.

O meu estágio terminou no dia em que se iniciaram estas sessões. Nesse dia, tive noção de que fui mais uma estagiária que por ali passou, que teve o enorme privilégio de interagir com esta equipa. E que, embora eu já não pudesse mais acompanhá-los no seu dia a dia, esta equipa iria para sempre continuar o seu fantástico trabalho junto dos doentes e suas famílias.

Nunca fez tanto sentido para mim a citação de Isabel Galriça Neto: “Os Cuidados Paliativos, mais do que um edifício, são uma atitude”.

Muito obrigada, Equipa do Serviço de Cuidados Paliativos do HSJ, por ter sido pedra basilar na minha conduta junto da pessoa doente em situação paliativa e suas famílias e cuidadores no CHTS.

 

 

 

Cristina Gomes

16/05/2022

A propósito de…

Cristina Gomes
Assistente Social do CHTS

2021-05-21

A propósito do Brasil ter assinalado o dia do assistente social no passado sábado, veio-nos à ideia que o Dia Mundial do Assistente Social, 15 de maio, em Portugal assinalado em meados de Março, foi vivido, este ano, em plena pandemia.

Celebrar o dia Mundial é celebrarmos profissionalmente a nossa profissão, mas é também a oportunidade de trazermos a público questões relacionadas com a nossa condição, com a população com que intervimos, com a sociedade em geral. É o momento em que afirmamos a nossa profissão de assistente social enquanto profissão que defende a justiça social e a dignidade humana.

O Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, criado em 2007, agrega a Unidade do Padre Américo e a Unidade de São Gonçalo, e desde 1968 e 1994, respetivamente, que estas unidades integram assistentes sociais. O Departamento de Saúde Mental, inclui assistente Social desde 1970. Presentemente, o Centro Hospitalar conta com 11 profissionais.

No longo destes últimos 14 anos, período desde a criação do Centro Hospitalar, a realidade hospitalar sofreu transformações no sentido de encontrar soluções para identificar ganhos em saúde e aumentar a satisfação dos utentes. E o Serviço Social mostrou-se sempre presente e pró-ativo na procura de respostas em prol dos utentes.

Num processo de grandes mudanças sociais e económicas, marcado por relações instáveis, o trabalho desenvolvido pelas assistentes sociais revela-se preponderante no acompanhamento, no esclarecimento e na prestação de cuidados sociais dirigidos as pessoas em situação de doença e em vulnerabilidade.

Desde o acompanhamento junto ao doente com patologias crónicas, a intervenção em crise a doentes agudos, o planeamento de alta, o acompanhamento a grupos com problemáticos específicas, passando, numa perspetiva integrada, pela intervenção junto das famílias, a ação dos assistentes sociais visa melhorar a condição do doente e optimizar a continuidade de cuidados.

A profissão do assistente social pauta-se pela implementação de procedimentos uniformizados e registos rigorosos que promove as boas práticas, fundamental, e apanágio da nossa Equipa, do exercício da nossa intervenção social.

Vivemos tempos difíceis, com constrangimentos vários e desafios constantes, mas vivemos a profissão como uma missão.

É certo que o Dia Mundial do Assistente Social não foi devidamente assinalado, mas o nosso trabalho…faz-se todos os dias com a gratificação de quem exerce de forma não discriminatória a ajuda ao doente e aos seus familiares. Que melhor maneira de o celebrar?

Direito à autodeterminação na Intervenção do Serviço Social – uma reflexão

Glória Ferreira
Assistente Social do CHTS

2021-10-25

A auto-determinação é um dos princípios fundamentais dos direitos humanos e significa autonomia, livre arbítrio e auto-responsabilidade.

Na abordagem ao doente este é considerado o elemento central de todo o processo de intervenção do Assistente Social, sendo necessário saber ouvir e respeitar as suas vontades, sempre que o mesmo esteja em condições de o fazer.

Como humanos que somos temos tendência a fazer juízos de valor, somos moralistas, e na nossa prática profissional esse é um comportamento a evitar.

A infantilização dos idosos, remetendo para as famílias a tomada de decisão, é outro dos comportamentos que o Assistente Social tem que combater, incentivando ao envolvimento do idoso enquanto elemento central de toda a intervenção. Nas situações em que este não está capaz, a família é orientada para requerer o Estatuto do Maior Acompanhado, de forma a assegurar a sua representação legal.

É com frequência que os familiares se dirigirem ao Serviço Social para solicitar a integração em respostas sociais. É nosso procedimento questionar a vontade do doente e agir em conformidade. Podemos por vezes não concordar com as suas decisões, mas cabe-nos informá-lo das alternativas existentes, vantagens e implicações das mesmas. Trata-se de um processo de capacitação.

Temos que saber ouvir e aceitar. Não basta encontrar soluções, há que encontrar respostas que vão de encontro aos desejos do utente, sempre que isso seja possível. Muitas vezes a resposta encontrada não é a ideal, mas sim a possível, até porque a integração em lar é cada vez mais difícil e morosa, o apoio domiciliário nem sempre responde às necessidades dos utentes, para além dos constrangimentos quando o doente não se enquadra nas respostas dirigidas à 3ª idade.

O indivíduo quando fica internado no hospital não deve perder a sua identidade, tratando-se de um sujeito de direito, com a sua história, a sua família e as suas crenças e valores que devem ser respeitados.

Um doente não é só um doente… ele é o avô, o pai, o filho, a vida de alguém…

“Tudo pode ser tirado de uma pessoa, exceto uma coisa: a liberdade de escolher a sua atitude em qualquer circunstância da vida.” (Vitor Frankl)

“Todos pelo nosso hospital”

Maria João Correia
Diretora do Serviço Social do CHTS

2021-05-31

A dinâmica dos hospitais, inseridos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), enquanto realidade para fazer face às necessidades da saúde dos portugueses, com acesso total aos serviços, foi, sem dúvida posta à prova, pelas mais variadas razões, muitas vezes pela negativa, no ano de 2020.

A pandemia que assolou o mundo, veio abalar e questionar a capacidade de os hospitais se organizarem. Foi neste contexto que o Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS), se debateu numa grande luta para, diariamente, dar resposta a todos os desafios impostos.

Neste clima de incertezas, de receios e de medos, TODOS tivemos de participar e contribuir para reorganizar a instituição e contribuir para a elaboração de estratégias de intervenção. Muitas delas com reajustes sempre crescentes e inovadores, com o intuito se dar resposta a necessidades que, diariamente, se colocavam.

Foram desafios desconhecidos, realidades nunca antes vivenciadas, espectativas incertas, certezas inexistentes, contudo, uma vontade de ultrapassar e todos os esforços conciliados teriam de fazer toda a diferença.

Neste ambiente de incertezas, de reajustes nos apoios existentes e na criação de novas respostas, que o Serviço Social e a Liga de Amigos do Hospital, na continuidade com a saudável parceria instituída já desde 2009, deram resposta a todos os problemas surgidos, com a convicção forte, mais do que nunca, de que a consolidação de esforços faria toda a diferença.

Há 12 anos que o Serviço Social e a Liga de Amigos do Hospital Padre Américo andam de mãos dadas, no apoio, multifacetado, especifico, aos doentes e ou/familiares. Apoio imediato e em tempo útil, e cuja resolução vai fazer toda a diferença aquele doente, naquele momento de necessidade. Referimo-nos ao apoio à aquisição de medicação, produtos de apoio, bens de primeira necessidade, transportes, entre muitos outros.

Esta parceria foi sempre apadrinhada pelo Conselho de Administração que preconiza na sua intervenção “mais e o melhor para os doentes”. Assim, sempre apoiou todas as propostas apresentadas e iniciativas realizadas.

Convém sublinhar que esta parceria não suplanta, nem substitui os apoios oficiais ou privados existentes na comunidade que serve a área de influência do CHTS.

A diferença e a importância desta parceria são visíveis quando, num preciso momento e a uma determinada hora, é necessário um apoio pontual, a ser resolvido em tempo útil. O tempo de resposta a solicitações na saúde não se compadece do tempo real de intervenção das instituições do meio, revestidos de aspetos burocráticos que impedem, pelas razões apontadas, uma resolução imediata. Esta resposta iniciada, em contexto hospitalar, terá uma continuidade pelas estruturas do meio que, me apraz referir, felicito pelo seu desempenho no ano pandémico vivido.

O ano de 2020 estreitou e fortaleceu a dinâmica destes dois serviços, pois, apesar das profundas alterações sociais e condicionalismos com que nos deparamos, com regras muito bem definidas nos diversos estados de emergência decretados, a Liga de Amigos do Hospital Padre Américo esteve à altura do desafio e aceitou todas a propostas colocadas pelo Serviço Social tendo reformulado toda a sua dinâmica interna.

As atividades realizadas deram um novo rosto ao trabalho dos voluntários, pois embora não permanecendo em presença física, continuaram, à distancia, a colaborar, de muitas formas com os assistentes sociais, permitindo que as necessidades em peças de vestuário e outros bens de primeira necessidade chegassem aos doentes em perfeitas condições de higiene e obedecendo às normas em vigor. O banco de produtos de apoio, em atividade, foi acrescido de equipamentos, permitindo a satisfação da necessidade detetadas. Com ênfase na quadra natalícia, a atribuição de géneros alimentares foi também uma realidade durante todo o ano. Com todas as vicissitudes impostas pela pandemia, nenhum apoio ficou por ser resolvido.

A esta colaboração, que se apresentou de uma outra forma, que não a habitual, o serviço que represento muito agradece.

O ano de 2020 ficará conhecido nos anais da historia por muitas razões, todas elas atípicas, mas também ficará gravado na memória de todos os profissionais de saúde, que a colaboração de todos por um bem comum faz toda a diferença, mesmo que as mudanças operadas sejam visíveis a uma menor dimensão, como é o caso dos doentes que beneficiaram do apoio descrito neste documento.

Ficou provado e documentado, que esta parceria sobreviveu a todo este contexto. Fortaleceu a sua forma de trabalhar em contexto de crise e provou ser capaz de se adaptar e reinventar em apoios muito específicos e concretos, prevalecendo o facto de que a vontade humana é capaz de muito quando a causa humana está em questão.

Enquanto profissional de saúde, deixo o meu voto de agradecimento e reconhecimento pela luta diária que travaram para que os efeitos da pandemia, na sua organização, não ficassem registados pelo lado negativo… Bem hajam pelo lado positivo que ocupam na realidade do CHTS!

Agradeço tudo o que esta parceria tem conseguido realizar e agradeço a oportunidade e o convite para participar em mais umas das célebres iniciativas deste organismo.

Texto originalmente publicado na Revista “Todos pelo nosso Hospital” da Liga dos Amigos do Hospital Padre Américo / CHTS / Edição nº1/2021