Saúde Mental

Cancro, o impacto psicólogo da doença

 

Definição: Cancro define-se como sendo um crescimento de células de um modo não controlado, em diversas partes e órgãos do corpo, originando as metástases (World Health Organization, 2013).

É por excelência uma doença temerária e que por diversas vezes, em todas as fases da mesma, acarreta perdas e danos para os indivíduos, sendo estas tanto a nível físico como também na esfera psicológica (Elsner, Trentin, & Horn, 2009).

Epidemiologia: Com uma taxa superior a 20%, a doença oncológica é uma das maiores causas de morte do nosso país (Araújo et al., 2009; Instituto Nacional de Estatística, 2012).
A par de outros países em todo o mundo, o cancro é responsável por um elevado número de mortes, no entanto, são cada vez mais o número de sobreviventes que esta doença tem (Siegel et al., 2012).

O processo de adoecer é longo e acarreta diversas alterações em muitas dimensões do indivíduo. Tanto a componente física como psicológica, assim como a dimensão social sofrem alterações que comprometem o funcionamento pleno do individuo (Elsner et al., 2009).

Tratamentos e terapêuticas mais utilizadas são:

  • Cirurgia;
  • Quimioterapia;
  • Radioterapia;
  • Hormonoterapia;
  • Imunoterapia.

Efeitos dos tratamentos no cancro:

  • Fadiga (muito cansaço);
  • Redução da densidade óssea;
  • Doenças cardiovasculares;
  • Disfunção pulmonar;
  • Infertilidade;
  • Dor crónica;
  • Disfunção sexual.

Impacto Psicológico da Doença: Para além da condição física em que o paciente se encontra, a componente psicológica tem um grande relevo no doente oncológico.
É frequente surgir sintomatologia depressiva e ansiosa, sendo as mais prevalentes nestes pacientes (Pereira & Lopes, 2005) e comprometendo assim a qualidade de vida e o bem-estar psicológico dos mesmos (Rajandram et al., 2011).

Sintomatologia Depressiva mais frequente: sentimentos de inutilidade, apatia, baixa autoestima, tristeza, diminuição de sentimentos positivos, e menor interação em atividades sociais.

Sintomatologia Ansiosa mais frequente: Tensão muscular, Taquicardia, Palpitações, Alterações da respiração, Pressão no peito, Dor de cabeça, Alteração do sono.

O Ciclo Psico-Oncológico é um processo que compreende 5 fases:

  1. Negação e isolamento: Nesta fase surge o pensamento “Isto não pode estar a acontecer eu não vou ficar sem…”;
  2. Raiva: Nesta fase surgem questões “Porquê eu? Porquê a mim”, e são comuns episódios explosivos, e muita agressividade dirigida aos que estão mais próximos;
  3. Negociação: Nesta fase surgem movimentos dirigidos à religiosidade, por exemplo: promessas, acordos, geralmente em segredo;
  4. Depressão: Nesta fase surgem sentimentos associados à dor emocional, ao sofrimento profundo. Esta poderá ser uma fase de introspeção e isolamento, envoltos em tristeza, perda, culpa, descrença e medo.
  5. Aceitação: Esta fase fechou o Ciclo do Choque à Aceitação. É como se a luta tivesse terminado e o problema passa a ser enfrentado com consciência das possibilidades e limitações.

Este é o fechar do caminho iniciado pela ideia da perda irreversível e o encontro com todo um estado de reorganização emocional.

Aqui podemos dizer que subsiste:

  • A aceitação da realidade da perda;
  • Todo um trabalho interno através da dor ou da mágoa;
  • Adaptação ao ambiente após a comunicação da doença;
  • A tão desejada recolocação emocional e prosseguir com a vida

A vida sempre nos apresentará dificuldades, é assim que ela nos ensina lições novas e nos permite progredir, na certeza de que a doença oncológica é uma lição de esperança e de resiliência.

Mas a evolução ao nível da investigação tem sido animadora, assim, estima-se que em 2030, terá um aumento de cerca de 25% no número de casos de cancro, no entanto a taxa de mortalidade é cada vez menor!

 

Artigo elaborado pelo Serviço de Psicologia do CHTS

Saúde mental na gravidez e pós-parto

 

Durante muito tempo considerou-se que a gravidez e o pós-parto seriam momentos pautados por felicidade e bem-estar, chegando a ser considerado um período protetor da saúde mental da mulher.

Nas últimas décadas, assistiu-se, na comunidade científica, a um interesse crescente e preocupação justificada pela saúde mental perinatal, que diz respeito à saúde mental da mãe e da criança, desde a conceção até ao primeiro ano de vida pós-natal.

No entanto, continua a verificar-se a pressão cultural no sentido da “felicidade da gravidez e maternidade”. Esta tendência cultural e social para romantização e idealização da gravidez e pós-parto dificulta a afirmação e expressão de emoções negativas e, consequentemente, a procura de ajuda. O facto de as emoções negativas não serem socialmente validadas agrava as inseguranças e isola a mulher no seu sofrimento, podendo provocar graves prejuízos para a saúde mental.

A ansiedade, medo, tristeza, frustração… também fazem parte do leque de emoções prováveis na gravidez e pós-parto.

A transição para a parentalidade implica mudanças, tarefas desenvolvimentais, que promovem a adaptação ao papel de mãe e pai, mas que podem ser podem ser momentos de tensão e de maior exigência psíquica para mulher e para a dinâmica familiar. Estas mudanças acontecem em múltiplos contextos de vida e são provocadas por múltiplos fatores (biológicos, emocionais, relação de casal, relação com família de origem, interação com o bebé, contexto social e profissional…).

Uma em cada cinco mulheres desenvolve problemas de saúde mental perinatal, sendo as mais frequentes as perturbações de ansiedade e as perturbações do humor.

A depressão é a perturbação do humor mais frequente no periparto, afetando entre 20 a 35% das mulheres. Os principais sintomas incluem:

  • Tristeza prolongada (mais de duas semanas);
  • Perda do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades;
  • Redução ou aumento do apetite;
  • Insónia ou hipersonolência;
  • Agitação ou lentificação psicomotora;
  • Fadiga ou perda de energia;
  • Sentimentos de inutilidade ou culpa;
  • Dificuldades de concentração;
  • Pensamentos recorrentes de morte ou ideação suicida.

 

Podemos assim inferir que se torna imperiosa, a avaliação e diagnóstico da saúde mental durante a gestação e no pós-parto e, sempre que se justifique, a referenciação para um tratamento especializado.

A presença de psicopatologia e/ou perturbações mentais na mãe, interferem na relação mãe-bebé e no desenvolvimento físico, cognitivo e emocional do bebé. Assim, cuidar da Saúde Mental materna é melhorar a saúde da sociedade atual e futura.

 

Unidade de Saúde Mental de Ligação do CHTS

 

 

“tanto e tanto amor desfeito; que a bem dizer ainda não estava feito.
E nesta perda do que não foi ganho, mas podia tê-lo sido,
se cifra uma das mais duras vivências…”

Coimbra de Matos, 2001

 

Vinculação Pré-Natal

A vinculação (ligação afetiva ao bebé), tem início muito antes do nascimento e mesmo antes da gravidez.

“A criança é imaginária antes de ter sido concebida, sendo aquela que a mãe e o pai vieram um dia a desejar. Ela será investida, por cada um dos seus progenitores”
(Pontes, 2009)

Esta vinculação, pré-natal, nem sempre tem a visibilidade e o reconhecimento social. Assim, em casos de perdas gestacionais, o casal é confrontado com a incapacidade de reconhecimento deste luto, que acaba por ser vivido como uma experiência solitária e incomunicável.

 

Fases do Luto

A forma como cada pessoa expressa o seu luto é única e individual. Porém ,existem fases que caracterizam este processo:

  • Choque – sentimentos de descrença, negação e confusão, a perda parece impossível, dificuldade em aceitar a realidade da perda.
  • Procura – mantém-se a negação da realidade, existe a sensação de presença da pessoa perdida, existem conversas e sonhos com ela.
  • Desorganização – o mundo parece vazio e sem sentido, sentimentos de ansiedade, medo, tristeza, agressividade, culpa e raiva.
  • Reorganização – já não se vive o desespero, aceita-se a realidade da perda, a dor é elaborada, permitindo lembrar e falar da pessoa perdida.

As reações de luto apresentam manifestações diversas:

Comportamentais – Fadiga, agitação, isolamento, choro, evitamento.

Emocionais – Choque, negação, raiva, culpa, tristeza, ansiedade, desespero, sensação de vazio, frustração.

Cognitivas – Baixa auto-estima, falta de memória, dificuldades de concentração, pensamentos que traduzem preocupação com o bebé, incerteza e ambivalência.

Fisiológicas – Insónia, pesadelos, falta de energia, tensão muscular, palpitações, náuseas…

Espiritual – Perda de fé, zanga com Deus, questionamento de valores, procura de respostas.

O que não deve ser dito a um casal em luto:

  • “Ainda são muito novos, podem ter outro filho!”
  • “Melhor agora, do que depois de nascer!”
  • “Ainda não era uma pessoa”
  • “Aconteceu por alguma coisa que fizeste?”
  • “Vais tentar novamente? E se acontece o mesmo?”
  • “Isso acontece a muita gente! Têm de seguir em frente.”
  • “O tempo cura tudo!”
  •  “O melhor é não falarem sobre isso, para esquecer!”

Evite qualquer comentário que desvalorize a dor de quem perdeu um filho!
Disponibilize o seu apoio, ouça e seja solidário com a dor deste luto!

 

Possíveis sinais de ALERTA

 

  • Sentimentos persistentes de culpa;
  • Sentimentos persistentes de raiva e revolta;
  • Isolamento social, como forma de evitamento (para não serem questionados sobre a perda, para não verem mulheres grávidas ou bebés);
  • Alterações persistentes do padrão de sono;
  • Consumo aumentado de bebidas com cafeína, álcool ou tabaco;
  • Stress na relação conjugal.

PEÇA AJUDA!

USML – Unidade de Saúde Mental de Ligação

Internet – da utilização à adição

 

Daniela Mota Mendes, psicóloga clínica

Daniela Mota Mendes, psicóloga clínica

Estima-se que mais de metade da população mundial utilize a Internet, o seu acesso tem sido massificado com os avanços da tecnologia. Os smartphones permitiram a sua utilização móvel, mais fácil e rápida.

Naturalmente, nem todos os utilizadores ficam dependentes, o uso da Internet pode ser considerado funcional, quando tem um propósito específico, por um período de tempo considerado razoável e sem desconforto cognitivo ou emocional subjacente. No entanto, verifica-se que um número crescente de utilizadores sofrem consequências negativas, como perda de controlo do tempo despendido, desinteresse por outras actividades e relações interpessoais, isolamento social, diminuição do rendimento escolar ou de trabalho e sentimentos de tristeza, angústia e frustração quando se vêem impossibilitadas da sua utilização. O uso intensivo da Internet pode causar dependência, equiparando-se a um comportamento aditivo, semelhante à dependência de substâncias.

Durante algum tempo, o termo adição encontrou-se associado ao uso de álcool e drogas. Reconhece-se, actualmente, que a adição pode existir na ausência de substância, sendo representada por um comportamento específico. São várias as adições comportamentais descritas na literatura e observadas na prática clínica, por exemplo, a adição ao jogo, compras compulsivas, sexo, exercício físico, trabalho e, mais recentemente, a adição à Internet. Estas “adições comportamentais” activam sistemas de recompensa e sintomas comportamentais equivalentes aos activados pelo uso de substâncias.

A adição à internet tem sido apontada, por vários profissionais da área das ciências sociais e humanas, como um problema generalizado a várias faixas etárias. No entanto, os jovens são o grupo etário em que estas preocupações mais se evidenciam, uma vez que a adolescência é um período de vulnerabilidade às dependências, o que faz dos adolescentes um grupo de risco

Verificam-se alguns factores de risco para a dependência da Internet, nomeadamente a insatisfação com a realidade, quanto mais insatisfeitos os jovens se sentem com as relações interpessoais reais, maior a tendência para se refugiarem na Internet e nas relações virtuais, criando por vezes, uma falsa realidade. Assim, as relações virtuais são sobrevalorizadas em detrimento das relações reais. A família deve monitorizar o tempo e as actividades realizadas durante a utilização da Internet. A ausência de monitorização é um factor crucial na adição e nos riscos da utilização.

É fundamental que a família esteja atenta e detecte precocemente os sintomas, recorrendo, se necessário, à ajuda de um profissional especializado. O objectivo do acompanhamento será possibilitar um uso mais adequado da Internet, equilibrando-o com outras actividades de lazer, permitindo estabelecer relações interpessoais gratificantes e lidar de forma adequada com emoções e sentimentos.

Sinais de alerta

  • Resistência em “desligar-se”, ultrapassando os limites estipulados;
  • Não desenvolver conversas com outras temáticas;
  • Alteração do padrão de sono (utilização tardia da Internet);
  • Sintomas de abstinência (agressividade, irritabilidade, angústia e frustração) quando é negado o acesso;
  • Recusa de actividades sociais e familiares para continuar online;
  • Mentir sobre o tempo despendido na utilização da Internet;
  • Diminuição significativa de actividades de lazer;
  • Diminuição no rendimento escolar, ou de trabalho.

Estratégias para os pais:

  • Restringir a utilização a áreas comuns (sala, cozinha…) de forma a puder supervisionar a sua utilização;
  • Estabelecer o acesso à Internet como recompensa e não como direito adquirido;
  • Proporcionar e encorajar outras actividades de lazer e relacionamentos com grupo de pares; Definir limites diários e certificar-se de que não são excedidos;
  • Permitir a utilização apenas após estarem realizados todos os afazeres;
  • Conhecer as passwords;
  • Verificar o histórico para minimizar riscos associados à utilização da Internet;
  • Seja o exemplo! Evite passar tempo desnecessário no computador ou telemóvel.

O que é o Síndrome de Burnout?

 

O Síndrome de Burnout é uma resposta emocional a situações de stress crónico desencadeada no contexto laboral. É descrito como um processo tridimensional:

  • Exaustão emocional: caracterizada pela falta ou diminuição de energia, entusiasmo e por sentimento de esgotamento de recursos;
  • Despersonalização: o profissional relaciona-se com os outros como se fossem objetos (desenvolvimento de insensibilidade emocional);
  • Baixa realização profissional: tendência do trabalhador para se auto-avaliar de forma negativa. Sentimentos de infelicidade e insatisfação com o seu desempenho profissional.

 

Quais os sinais e sintomas do Síndrome de Burnout?

 

Físicos:

  • Sensação de cansaço na maioria do tempo;
  • Fragilidade do sistema imunitário;
  • Frequentes dores de cabeça, lombares e musculares;
  • Alterações do apetite;
  • Alterações no sono.

Emocionais:

  • Sentimento de fracasso, derrota e desamparo;
  • Sentimento de solidão;
  • Falta de motivação;
  • Negativismo;
  • Diminuição da satisfação e do sentimento de realização profissional e pessoal.

Comportamentais:

  • Isolamento;
  • Lentificação na realização das tarefas habituais;
  • Dificuldade em assumir as responsabilidades habituais;
  • Consumo excessivo de comida, álcool ou drogas;
  • Absentismo, chegar atrasado ou sair mais cedo;
  • Modificação dos padrões de comportamento habituais.

Sintomatologia psicopatológica:

  • Insónia;
  • Irritabilidade;
  • Inquietação;
  • Tremores;
  • Sintomas depressivos;
  • Baixa motivação.

 

Orientações Terapêuticas

 

  • Cuide do seu corpo;
  • Tenha uma alimentação cuidada,
  • Pratique a técnica de respiração infra-diafragmática;
  • Mantenha o suporte social e emocional;
  • Pratique técnicas de relaxamento;
  • Cuide da sua saúde física e mental;
  • Melhore o seu dia-a-dia;
  • Procure ser mais cooperativo;
  • Faça intervalos entre as atividades;
  • Pratique exercício físico;
  • Organize o seu dia;
  • Reflta sobre o lugar que a atividade ocupa.

 

Como saber se preciso de ajuda profissional?

 

  • Procure adotar um estilo de vida mais saudável: alimentar-se corretamente, praticar exercício regularmente e descansar o suficiente;
  • Estabeleça limites: não se sobrecarregue, aprenda a dizer “não”;
  • Faça uma pausa diária de tecnologias: estabeleça um tempo por dia para se abstrair completamente de todas as tecnologias;
  • Potencie o seu lado criativo: a criatividade é um antídoto poderoso para o burnout. Tente algo de novo, comece um projeto divertido ou continue a realizar o seu hobbie favorito;
  • Aprenda a gerir o stress: quando os sintomas de burnout começam a aparecer, poderá sentir-se incapaz, no entanto, tem muito mais controlo sobre o stress do que pensa. Aprender a gerir o stress pode ajudá-lo a restabelecer o equilíbrio.

Cancro, o impacto psicólogo da doença

 

Definição: Cancro define-se como sendo um crescimento de células de um modo não controlado, em diversas partes e órgãos do corpo, originando as metástases (World Health Organization, 2013).

É por excelência uma doença temerária e que por diversas vezes, em todas as fases da mesma, acarreta perdas e danos para os indivíduos, sendo estas tanto a nível físico como também na esfera psicológica (Elsner, Trentin, & Horn, 2009).

Epidemiologia: Com uma taxa superior a 20%, a doença oncológica é uma das maiores causas de morte do nosso país (Araújo et al., 2009; Instituto Nacional de Estatística, 2012).
A par de outros países em todo o mundo, o cancro é responsável por um elevado número de mortes, no entanto, são cada vez mais o número de sobreviventes que esta doença tem (Siegel et al., 2012).

O processo de adoecer é longo e acarreta diversas alterações em muitas dimensões do indivíduo. Tanto a componente física como psicológica, assim como a dimensão social sofrem alterações que comprometem o funcionamento pleno do individuo (Elsner et al., 2009).

Tratamentos e terapêuticas mais utilizadas são:

  • Cirurgia;
  • Quimioterapia;
  • Radioterapia;
  • Hormonoterapia;
  • Imunoterapia.

Efeitos dos tratamentos no cancro:

  • Fadiga (muito cansaço);
  • Redução da densidade óssea;
  • Doenças cardiovasculares;
  • Disfunção pulmonar;
  • Infertilidade;
  • Dor crónica;
  • Disfunção sexual.

Impacto Psicológico da Doença: Para além da condição física em que o paciente se encontra, a componente psicológica tem um grande relevo no doente oncológico.
É frequente surgir sintomatologia depressiva e ansiosa, sendo as mais prevalentes nestes pacientes (Pereira & Lopes, 2005) e comprometendo assim a qualidade de vida e o bem-estar psicológico dos mesmos (Rajandram et al., 2011).

Sintomatologia Depressiva mais frequente: sentimentos de inutilidade, apatia, baixa autoestima, tristeza, diminuição de sentimentos positivos, e menor interação em atividades sociais.

Sintomatologia Ansiosa mais frequente: Tensão muscular, Taquicardia, Palpitações, Alterações da respiração, Pressão no peito, Dor de cabeça, Alteração do sono.

O Ciclo Psico-Oncológico é um processo que compreende 5 fases:

  1. Negação e isolamento: Nesta fase surge o pensamento “Isto não pode estar a acontecer eu não vou ficar sem…”;
  2. Raiva: Nesta fase surgem questões “Porquê eu? Porquê a mim”, e são comuns episódios explosivos, e muita agressividade dirigida aos que estão mais próximos;
  3. Negociação: Nesta fase surgem movimentos dirigidos à religiosidade, por exemplo: promessas, acordos, geralmente em segredo;
  4. Depressão: Nesta fase surgem sentimentos associados à dor emocional, ao sofrimento profundo. Esta poderá ser uma fase de introspeção e isolamento, envoltos em tristeza, perda, culpa, descrença e medo.
  5. Aceitação: Esta fase fechou o Ciclo do Choque à Aceitação. É como se a luta tivesse terminado e o problema passa a ser enfrentado com consciência das possibilidades e limitações.

Este é o fechar do caminho iniciado pela ideia da perda irreversível e o encontro com todo um estado de reorganização emocional.

Aqui podemos dizer que subsiste:

  • A aceitação da realidade da perda;
  • Todo um trabalho interno através da dor ou da mágoa;
  • Adaptação ao ambiente após a comunicação da doença;
  • A tão desejada recolocação emocional e prosseguir com a vida

A vida sempre nos apresentará dificuldades, é assim que ela nos ensina lições novas e nos permite progredir, na certeza de que a doença oncológica é uma lição de esperança e de resiliência.

Mas a evolução ao nível da investigação tem sido animadora, assim, estima-se que em 2030, terá um aumento de cerca de 25% no número de casos de cancro, no entanto a taxa de mortalidade é cada vez menor!

 

Artigo elaborado pelo Serviço de Psicologia do CHTS

A morte e o luto

 

Daniela Mota Mendes, psicóloga clínica

Daniela Mota Mendes, psicóloga clínica

Vivemos numa sociedade em que vários tabus começam a ser quebrados, no entanto, a morte continua a ser vista como um assunto “impronunciável”, um tema que deve ser evitado e ignorado, como se assim pudéssemos contornar a sua inevitabilidade. Condena-se a expressão da dor, que é vista como um sinal de fraqueza, exige-se força e controlo a quem sofre a morte de um ente querido, desconhecendo que tal exigência pode resultar num processo de luto complicado/patológico.

A prática clínica revela que poucas experiências serão tão dolorosas e difíceis de elaborar quanto o luto pela morte de alguém que amamos.

As formas como cada pessoa expressa o seu luto e a sua dor, são únicas e individuais, sendo que, não reagimos todos do mesmo modo. Viver o processo do luto não tem como objetivo esquecer; mas reaprender a viver, apesar da perda. Continuar-se-á a sentir falta de quem partiu e deseja-se estar ao seu lado, mas a elaboração de um processo de luto permite retomar a trajetória da vida. Do estado de luto não se espera uma cura, pois não se trata de uma doença, mas antes uma readaptação à vida.

O luto é um fenómeno natural, que representa a resposta a uma perda significativa. E são muitas as perdas com que somos confrontados ao longo do nosso ciclo vital.

Algumas das reações à perda, pela sua duração, intensidade e frequência com que ocorrem, podem ser consideradas reações patológicas. Nestes casos, o luto é visto como um processo que se afasta da normalidade, passando a ser encarado como patológico, com necessidade de intervenção especializada.

Texto originalmente publicado no Jornal Imediato a 5 de julho de 2019
Daniela Mota Mendes, psicóloga clínica

Daniela Mota Mendes, psicóloga clínica

É unanimemente reconhecido que a alimentação não se limita à satisfação da sensação física de fome. O desejo de comer surge mesmo na ausência de necessidades energéticas e nutricionais. Alimentamo-nos e seleccionamos os alimentos em função do nosso estado emocional e, não só, das nossas necessidades fisiológicas. E fazemo-lo desde muito cedo, por exemplo, quando os pais oferecem um doce para sossegar, confortar ou recompensar a criança, aprendemos muito precocemente que os alimentos não possuem somente um valor nutritivo e energético, mas também um valor emocional.

A criança aprende a associar bem-estar à ingestão de comida e os alimentos passam a adquirir um significado afectivo. A comida torna-se na primeira estratégia para lidar com as situações desagradáveis, esta estratégia vai-se perpetuando no tempo, e, assim, as dificuldades afectivas vão despertar invariavelmente a fome emocional. Os alimentos vão sendo utilizados, ao longo da nossa vida, para celebrar, acalmar, aliviar ou confortar em momentos de tristeza ou de maior tensão emocional. E é neste sentido que surge o conceito de Alimentação e Fome Emocional.

Enquanto a fome fisiológica é gradual, responde a diferentes alimentos e termina quando as necessidades energéticas estão repostas, a fome emocional é súbita e urgente, exige um alimento específico e não termina quando o organismo se encontra saciado. Ou seja, usamos os alimentos para compensar tristezas, decepções, perdas, inquietações e ansiedade. Consequentemente, come-se exagerada e inapropriadamente na tentativa de saciar a fome emocional. Assim, emerge um consumo de alimentos pouco saudável que pode resultar no aumento excessivo de peso. A comida proporciona uma satisfação passageira, não resolvendo os problemas inerentes às alterações do humor, despertando reiteradamente a ingestão compulsiva como estratégia inadaptativa para lidar com os sentimentos negativos. Esta situação agrava-se, ainda mais, quando o aumento de peso provoca sentimentos de baixa auto-estima, desvalorização pessoal e/ou culpa por ter comido exageradamente.

Por sua vez, estes sentimentos podem aumentar, ainda mais, a fome emocional, criando um ciclo vicioso entre ingestão compulsiva e sentimentos negativos. Reconhece-se, actualmente, que, para solucionar o problema do excesso de peso, não basta fazer dieta ou seguir um plano de exercícios. Torna-se evidente a necessidade de aprender a distinguir entre fome física e emocional e identificar o que desencadeia a última.

No contexto atual de pandemia, em que nos vemos privados do nosso estilo de vida habitual, em que somos assombrados pelo isolamento social, por sentimentos de insegurança, tristeza, tensão, frustração e ansiedade, são muitas as pessoas que recorrem à comida numa tentativa de alcançar a tão desejada sensação de bem-estar.

De forma a evitar que tal aconteça torna-se importante:

  • Reconhecer a diferença entre fome fisiológica e fome emocional;
  • Assumir a ingestão de alimentos como forma de lidar com emoções desagradáveis;
  • Perceber o que desencadeia a fome emocional;
  • Reconhecer e expressar as suas emoções;
  • Procurar estratégias mais adaptativas para lidar com o mal-estar e tensão emocional: relaxamento, exercício físico, ler um livro, conversar com um amigo, pintar, desenhar…
  • Evitar fazer dietas restritivas;
  • Dormir e descansar o suficiente.

A fome emocional é um sintoma que tem de ser decifrado e tem, como todos os sintomas, um motivo subjacente. Em algumas situações poderá ser necessária a intervenção psicológica, de forma a promover o autoconhecimento e auto-estima.