Incontinência

Perdas de urina, fezes ou gases? O fisioterapeuta pode ajudar

 

Ana Sofia Pacheco, fisioterapeuta, Serviço de Medicina Física e Reabilitação

Ana Sofia Pacheco, fisioterapeuta, Serviço de Medicina Física e Reabilitação

Tem perdas de urina quando espirra ou ri? Deixou de realizar exercício físico por perder xixi enquanto saltava, corria ou caminhava? Evita sair com amigos por receio de molhar a roupa, ou cheirar mal? Vai muitas vezes à casa-de-banho, e perde algumas gotinhas de urina antes de chegar à sanita? Perde gases quando tosse, ou apercebe-se de que, por vezes, tem a cueca suja (fezes líquidas)?

As disfunções do pavimento pélvico compreendem uma área extremamente delicada e íntima, capaz de comprometer seriamente a qualidade de vida de muitas pessoas, de ambos os géneros e faixas etárias. São bastante comuns, mas não NORMAIS, e têm tratamento.

Contrariamente à crença popular, a incontinência de esfíncteres (qualquer perda involuntária de urina, fezes ou gases) não é uma consequência normal da idade, embora os músculos do pavimento pélvico (que, em conjunto com fáscia e ligamentos, fecham a cavidade abdominal inferiormente) possam perder algum tónus quando se envelhece.

Contudo, estas disfunções nem sempre se devem à perda de tónus ou força muscular. Os conhecidos “exercícios de Kegel” não estão indicados em todas as condições; a sua realização, sem uma avaliação prévia e um correto ensino podem, inclusive, agravar a condição. Não se esqueça: CADA CASO É UM CASO!

São várias as situações e os fatores que poderão desencadear uma disfunção no pavimento pélvico. Gravidez, parto, menopausa, patologia ou cirurgia são alguns deles. A obesidade, obstipação, stress e ansiedade também dão o seu contributo. Hábitos de vida saudáveis podem ajudar na sua prevenção. Pratique exercício físico adequado à sua condição; modalidades desportivas de grande impacto podem desencadear ou agravar problemas pélvicos. Não se esqueça, também, da importância de uma alimentação saudável e equilibrada, e de ingerir uma adequada quantidade de água, para garantir uma boa hidratação e funcionamento vesical/intestinal. Alguns comportamentos quotidianos também podem originar disfunção: não adie, por demasiado tempo, a ida

ao WC para urinar (porque está muito ocupada/o)!), pois está a provocar alteração na capacidade de armazenamento da sua bexiga, e a submeter músculos e ligamentos a tensões excessivas. Da mesma forma, respeite a sua vontade defecatória, e evite fazer esforço excessivo para evacuar.

Não deixe que o receio ou a vergonha o impeçam de procurar informação fidedigna, e um tratamento adequado às suas necessidades específicas. O passo mais importante para obter ajuda é falar com o seu médico; de acordo com o diagnóstico, poderá ser orientado(a) para outros profissionais, atendendo a que a abordagem destas condições é multi e interdisciplinar.

A Fisioterapia é um tratamento conservador de primeira linha, que dispõe de diferentes modalidades terapêuticas. Educação comportamental, reeducação postural, terapia manual, biofeedback são, apenas, alguns exemplos. Só após uma avaliação individualizada serão definidas as estratégias mais adequadas. O Serviço de Medicina Física e Reabilitação do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa dispõe de profissionais especializados nesta área (Médica Fisiatra e Fisioterapeutas) que a/o podem ajudar. O tratamento tem elevadas taxas de sucesso e ganhos significativos na qualidade de vida.

Cuide da sua Saúde Pélvica!

REALIDADE VIRTUAL NO TRATAMENTO DA DISFUNÇÃO DO PAVIMENTO PÉLVICO

 

No Serviço de Medicina Física e Reabilitação do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS), o tratamento de utentes com disfunção do Pavimento Pélvico é uma das áreas onde é utilizada a realidade virtual.

A realidade virtual é usada na prática clínica com o objetivo de proporcionar um contexto de jogo, mais lúdico, enquanto se recebe tratamento, acrescentando inovação e maior interatividade à intervenção do fisioterapeuta.

“Uma das nossas prioridades é que as sessões de tratamento sejam estimulantes e adequadas às necessidades individuais de cada utente”, afirma Manuela Martinho, coordenadora de Fisioterapia do Serviço de Medicina Física e Reabilitação do CHTS. “Se a realidade virtual é uma ferramenta fundamentada pela evidência científica e, acima de tudo, muito motivacional, faz todo o sentido que a utilizemos. Ao contribuir para aumentar a adesão ao tratamento e os ganhos em saúde, vamos ao encontro do propósito maior da instituição que servimos.”

A Saúde Pélvica/Disfunção do Pavimento Pélvico foi a área onde se iniciou a aplicação desta modalidade. “Usar os avanços da tecnologia para alcançar saúde e minorar uma disfunção do Pavimento Pélvico, de uma forma mais agradável e aliciante é, seguramente, um caminho a seguir”, reforça Cátia Santos, médica fisiatra responsável pela Consulta do Pavimento Pélvico no Serviço.

A incontinência urinária

 

Rogério Pacheco, enfermeiro do Serviço de Urologia

Rogério Pacheco, Enfermeiro Gestor, Especialidades Cirúrgicas

 

A incontinência urinária é uma situação patológica muito mais comum do que imaginamos. Resulta da incapacidade em armazenar e controlar a saída da urina, ou seja, é caracterizada por perdas urinárias involuntárias, que podem ser muito ocasionais e ligeiras, ou perdas mais regulares e graves.

Apesar das implicações deste problema na qualidade de vida do indivíduo, não só a nível físico mas também social, sexual e emocional, apenas 10% dos doentes recorrem ao médico para diagnóstico e tratamento. A incontinência urinária é, ainda hoje, um assunto tabu dominado pelo constrangimento de urinar involuntariamente, uma vez que toca a intimidade da pessoa.

São vários os factores que podem influenciar o início deste problema de forma temporária: frequência de infecções urinárias, obstipação, abuso de substâncias irritantes para a bexiga (café, citrinos), excesso de peso ou ainda a toma de certos medicamentos (sedativos, antidepressivos, diuréticos, anti hipertensores). As causas permanentes envolvem problemas na próstata (no caso do homem), alterações hormonais (no caso da mulher, a menopausa), enfraquecimento dos músculos da bexiga derivado da gravidez e/ou parto, determinadas cirurgias (pélvicas, útero e/ou próstata) ou lesões neurológicas.

Na última década foram feitas importantes descobertas nesta área. Existem inclusivamente, formas de incontinência urinária que são tratadas com medicamentos ou técnicas de reabilitação, e a maioria das cirurgias quase não implicam internamento, sendo a vida normal retomada horas ou poucos dias depois.

São muitos os materiais de apoio ao incontinente, desde fraldas para adultos com diferentes capacidades de absorção, a pensos de várias dimensões. Há, também, roupa interior, especialmente desenhada para o efeito, lavável e reutilizável.

Números da Incontinência Urinária em Portugal

  • A incontinência urinária afeta 20% da população portuguesa com mais de 40 anos, o que significa que 1 em cada 5 portugueses acima dos 40 anos sofrem da doença;
  • Estudos realizados na população Portuguesa apontam para a existência de 600 mil incontinentes nos diferentes segmentos etários. Com o envelhecimento da população, a tendência será este número continuar a crescer;
  • Entre os 45 e os 65 anos a proporção de casos de incontinência urinária é de 3 mulheres para cada homem;
  • 50% das pessoas institucionalizadas sofrem de incontinência urinária;
  • A taxa de cura da incontinência urinária é de 90%.

Em resumo, a Incontinência Urinária é um problema de saúde do qual todos temos elevada probabilidade de vir a sofrer, de diagnóstico e investigação relativamente simples, e com tratamentos pouco invasivos e muito eficazes.

Perdas de urina, fezes ou gases? O fisioterapeuta pode ajudar

 

Ana Sofia Pacheco, fisioterapeuta, Serviço de Medicina Física e Reabilitação

Ana Sofia Pacheco, fisioterapeuta, Serviço de Medicina Física e Reabilitação

Tem perdas de urina quando espirra ou ri? Deixou de realizar exercício físico por perder xixi enquanto saltava, corria ou caminhava? Evita sair com amigos por receio de molhar a roupa, ou cheirar mal? Vai muitas vezes à casa-de-banho, e perde algumas gotinhas de urina antes de chegar à sanita? Perde gases quando tosse, ou apercebe-se de que, por vezes, tem a cueca suja (fezes líquidas)?

As disfunções do pavimento pélvico compreendem uma área extremamente delicada e íntima, capaz de comprometer seriamente a qualidade de vida de muitas pessoas, de ambos os géneros e faixas etárias. São bastante comuns, mas não NORMAIS, e têm tratamento.

Contrariamente à crença popular, a incontinência de esfíncteres (qualquer perda involuntária de urina, fezes ou gases) não é uma consequência normal da idade, embora os músculos do pavimento pélvico (que, em conjunto com fáscia e ligamentos, fecham a cavidade abdominal inferiormente) possam perder algum tónus quando se envelhece.

Contudo, estas disfunções nem sempre se devem à perda de tónus ou força muscular. Os conhecidos “exercícios de Kegel” não estão indicados em todas as condições; a sua realização, sem uma avaliação prévia e um correto ensino podem, inclusive, agravar a condição. Não se esqueça: CADA CASO É UM CASO!

São várias as situações e os fatores que poderão desencadear uma disfunção no pavimento pélvico. Gravidez, parto, menopausa, patologia ou cirurgia são alguns deles. A obesidade, obstipação, stress e ansiedade também dão o seu contributo. Hábitos de vida saudáveis podem ajudar na sua prevenção. Pratique exercício físico adequado à sua condição; modalidades desportivas de grande impacto podem desencadear ou agravar problemas pélvicos. Não se esqueça, também, da importância de uma alimentação saudável e equilibrada, e de ingerir uma adequada quantidade de água, para garantir uma boa hidratação e funcionamento vesical/intestinal. Alguns comportamentos quotidianos também podem originar disfunção: não adie, por demasiado tempo, a ida

ao WC para urinar (porque está muito ocupada/o)!), pois está a provocar alteração na capacidade de armazenamento da sua bexiga, e a submeter músculos e ligamentos a tensões excessivas. Da mesma forma, respeite a sua vontade defecatória, e evite fazer esforço excessivo para evacuar.

Não deixe que o receio ou a vergonha o impeçam de procurar informação fidedigna, e um tratamento adequado às suas necessidades específicas. O passo mais importante para obter ajuda é falar com o seu médico; de acordo com o diagnóstico, poderá ser orientado(a) para outros profissionais, atendendo a que a abordagem destas condições é multi e interdisciplinar.

A Fisioterapia é um tratamento conservador de primeira linha, que dispõe de diferentes modalidades terapêuticas. Educação comportamental, reeducação postural, terapia manual, biofeedback são, apenas, alguns exemplos. Só após uma avaliação individualizada serão definidas as estratégias mais adequadas. O Serviço de Medicina Física e Reabilitação do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa dispõe de profissionais especializados nesta área (Médica Fisiatra e Fisioterapeutas) que a/o podem ajudar. O tratamento tem elevadas taxas de sucesso e ganhos significativos na qualidade de vida.

Cuide da sua Saúde Pélvica!