Descomplicar a gravidez

NÁUSEAS E VÓMITOS NA GRAVIDEZ

 

As náuseas (enjoos) e os vómitos são sintomas bastante comuns na gravidez, afetando até 80% das grávidas. Embora a sua causa ainda não seja bem compreendida, parecem ao estímulo hormonal na gravidez, adaptação evolutiva e predisposição psicológica. Geralmente estes sintomas surgem numa fase precoce da gestação, antes da 9ª semana, e tendem a melhorar após a 14ª semana, embora em algumas mulheres possa prolongar-se até ao termo da gravidez.

As grávidas podem ter vários episódios de náuseas e vómitos durante o dia (frequentemente 1 a 2 vezes/dia). Apenas uma pequena percentagem pode desenvolver uma forma mais severa de náuseas e vómitos que se associa a desidratação e perda de peso (hiperémese gravídica). Esta situação, apesar de autolimitada, pode requerer a hospitalização transitória da grávida, para estabilização do quadro clínico.

 

Os vómitos são prejudiciais para o bebé?

 

Não. As náuseas e os vómitos geralmente não são prejudiciais para o bebé, mas podem afetar muito a qualidade de vida da mãe, nomeadamente a sua capacidade de trabalho.

 

O que posso fazer para melhorar os sintomas?

 

  • Reforçar a hidratação: beber 8-12 copos de água por dia, mesmo quando não tem sede.
  • Fazer refeições leves e fracionadas: comer em pequena quantidade, várias vezes ao dia.
  • Evitar alimentos ricos em gordura (difíceis de digerir). Preferir alimentos como arroz, banana, tostas e chá (costumam ser bem tolerados).
  • Evitar comidas condimentadas e odores intensos que previamente tenham desencadeado náuseas ou vómitos.
  • Tomar as vitaminas da gravidez.

 

Existe medicação segura para as náuseas e vómitos na gravidez?

 

Sim. Quando as alterações na dieta e do estilo de vida não são suficientes para controlar os sintomas deverá recorrer ao seu médico assistente para este avaliar a necessidade de iniciar medicação.

Vários medicamentos têm demonstrado a sua segurança na gravidez como, como por exemplo:

  • Doxilamina + Dicloverina + Piridoxina (Nausefe®).
  • Metoclopramida (Primperam®).
  • Suplementos de Gengibre.
Descomplicar a gravidez é um projeto do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS) que tem por objetivo eliminar mitos e esclarecer dúvidas da população acerca da gravidez.
Fabiana Castro, António Pinho e Maria Liz Coelho, Médicos Internos de Formação Específica de Ginecologia e Obstetrícia, são os responsáveis pelo desenvolvimento deste projeto, sob orientação de Médicos Especialistas.
Bibliografia:
1. Morning Sickness: Nausea and Vomiting of Pregnancy; American College of Obstetricians and Gynecologists. 2020.
2. Pregnancy sickness (nausea and vomiting of pregnancy and hyperemesis gravidarum). Royal College of Obstetricians and Gynaecologists; 2016.

VACINAÇÃO NA GRAVIDEZ

 

A gravidez constitui um período da vida da mulher em que esta apresenta uma maior susceptibilidade a infeções por agentes víricos e outros patogéneos.

A vacinação na gravidez constitui uma oportunidade de prevenção de doenças em mulheres grávidas, mas também dos recém-nascidos pela passagem de anticorpos através da placenta.

Idealmente, todas as vacinas devem ser dadas antes da gravidez, mas a administração destas durante a gestação pode estar indicada em algumas situações.

De uma forma geral, as vacinas com fragmentos de microrganismos, toxoides ou imunoglobulinas são seguras na gravidez. As vacinas com vírus ou bactérias vivos estão contra-indicadas.

 

Quais as vacinas aconselhadas na gravidez?

 

  • Vacina combinada contra a tosse convulsa, tétano e difteria (Tdpa)

A tosse convulsa é uma doença infeciosa do trato respiratório causada pela bactéria Bordetella perturssis. As crianças até aos dois meses são as mais vulneráveis à tosse convulsa, no entanto a vacinação do bebé só é segura depois dessa idade. Assim, a vacinação da mãe na gravidez leva à produção de anticorpos que passam para o bebé através da placenta, conferindo-lhe proteção até ao início da sua vacinação (2 meses).

Esta vacina deve ser idealmente realizada entre as entre as 20 e as 32 semanas de gestação e sempre após a realização da ecografia morfológica (realizada entre as 20 e as 22 semanas + 6 dias). A vacinação prévia à gravidez ou a vacinação em gravidez anterior não são suficientes, sendo necessário repetir a vacinação em cada gravidez.

Esta vacina pode ser administrada em simultâneo, antes ou depois da imunoglobulina anti-D (em mulheres com grupo de sangue Rh negativo).

  • Vacina contra a gripe sazonal

A gripe sazonal é uma infecção provocada pelo vírus Influenza. As alterações fisiológicas próprias da gravidez tornam as mulheres mais vulneráveis a complicações e hospitalização aquando de uma infecção por este vírus. Esta vacina é segura em qualquer fase da gravidez e confere proteção ao recém-nascido nos primeiros seis meses de vida. A vacina deve ser administrada durante o outono/inverno.

Ambas as vacinas são gratuitas para a grávida no Serviço Nacional de Saúde.

Descomplicar a gravidez é um projeto do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS) que tem por objetivo eliminar mitos e esclarecer dúvidas da população acerca da gravidez.
Fabiana Castro, António Pinho e Maria Liz Coelho, Médicos Internos de Formação Específica de Ginecologia e Obstetrícia, são os responsáveis pelo desenvolvimento deste projeto, sob orientação de Médicos Especialistas.
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Bibliografia:
1. Mariana Vide TAVARES et al, Vacinas e gravidez, Acta Med Port. 2011; 24(S4):1063-1068
2. DGS. Norma nº 016/2020 de 25/09/2020. Vacinação contra a gripe. Época 2020/2021.
3. DGS. Orientação nº 002/2016 de 15/07/2016 atualizada a 08/08/2016. Vacinação da grávida contra a tosse convulsa

MOVIMENTOS FETAIS

 

A perceção materna dos movimentos fetais inicia-se no 2.º trimestre da gravidez e é habitual ocorrer mais tardiamente na primeira gravidez (18-21 semanas) do que nas seguintes (16-18 semanas).

O padrão de movimento do bebé é único e é importante identificar e reconhecer o padrão específico do seu bebé. Frequentemente, o final do dia e o início da noite correspondem a períodos de maior atividade.

A atividade fetal global aumenta progressivamente até às 28 semanas de gestação e depois mantém-se estável até ao termo. É importante ter em conta que à medida que o seu bebé vai ficando mais maduro, vai-se acentuando o seu ritmo circadiano: dorme durante mais tempo. Durante o sono profundo do bebé há uma menor perceção dos seus movimentos. Estes períodos de sono fetal podem durar 20-40 minutos.

A diminuição dos movimentos fetais é uma causa comum de preocupação e que motiva frequentemente a observação médica no Serviço de Urgência de Obstetrícia. Por vezes, existem algumas condições (da mãe ou do feto) que podem dificultar a perceção dos movimentos fetais, tais como:

  • Primeira gravidez
  • Excesso de peso
  • Tabagismo
  • Jejum prolongado
  • Atividade e posição maternas
  • Toma de sedativos (calmantes, álcool)
  • Ansiedade ou stress materno
  • Posição da placenta (anterior)
  • Posição das costas do bebé
  • Quantidade de líquido amniótico

Deve procurar observação médica se já tem mais de 24 semanas de gestação e nunca sentiu o seu bebé, se sente que o seu bebé mexe menos do que o seu padrão habitual ou se, após 2 horas deitada para o lado esquerdo, concentrada e após ingerir algum alimento, o seu bebé mexeu menos do que 10 vezes.

Descomplicar a gravidez é um projeto do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS) que tem por objetivo eliminar mitos e esclarecer dúvidas da população acerca da gravidez.
Fabiana Castro, António Pinho e Maria Liz Coelho, Médicos Internos de Formação Específica de Ginecologia e Obstetrícia, são os responsáveis pelo desenvolvimento deste projeto, sob orientação de Médicos Especialistas.
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Bibliografia:
1. Royal College of Obstetricians and Gynaecologists. (2011). “Reduced Fetal Movements. Green-top Guideline No. 57”.
2. Hosp. Universitari Clínic Barcelona y Hosp.Sant Joan de Déu. (2010). “Protocolo: Disminución de los movimentos fetales”.
3. National Institute for Health and Clinical Excellence Royal Berkshire. (2016). “Maternity Guidelines – Reduced Fetal Movements (GL903)”.
4. Hofmeyr GJ et al. – Cochrane Database Syst Rev (2014). “Management of reported decreased fetal movements for improving pregnancy outcomes”.
5. Mangesi L. et al. – Cochrane Database Syst Rev. (2007). “Fetal movement counting for assessment of fetal wellbeing”.

EXERCÍCIO FÍSICO NA GRAVIDEZ

 

Regra geral, o exercício físico na gravidez está recomendado!

A atividade física na gravidez está associada a múltiplos benefícios, quer para a futura mãe quer para o bebé, não se associando a maior probabilidade de aborto, baixo peso ao nascimento ou parto prematuro.

Entre os benefícios encontram-se aumento de peso controlado (ainda mais importante para grávidas com excesso de peso), redução da dor lombar, menor risco de hipertensão/diabetes gestacional e de parto pré-termo (antes das 37 semanas), maior probabilidade de parto vaginal, melhor recuperação pós-parto, melhoria do humor/sono e menor risco de depressão/ansiedade.

A adequação da intensidade/tipo de exercício devem variar em função da mulher e da sua prática desportiva prévia, bem como de fatores decorrentes da gestação. Na ausência de contraindicações pelo seu médico, exercícios como caminhada, bicicleta estática, dança, natação, hidroginástica, yoga ou pilates e de condicionamento da força estão aconselhados.

Idealmente, a grávida deve permanecer ativa pelo menos 150 minutos por semana: por exemplo, 5 dias por semana durante 30 minutos.

Em grávidas previamente habituadas a exercícios de intensidade elevada ou atletas, o conforto e a tolerância devem ditar a adaptação ao exercício nesta fase e não existe conhecimento sobre um limite máximo de exercício seguro devendo ter um acompanhamento adequado.

Para além da complementação com uma alimentação adequada, regras de ouro durante o exercício incluem hidratação frequente, evitar sobreaquecimento/ambientes demasiado húmidos ou pouco arejados, evitar mudanças rápidas de direção/postura ou permanecer deitada de barriga para cima durante muito tempo e evitar exercícios com elevado risco de queda/trauma.

Se exercícios com duração superior a 45 minutos, é ainda mais importante assegurar aporte calórico adequado, além da hidratação, através de alimentos ou bebidas adequadas.

O exercício deve ser interrompido se intolerância, dor, falta de ar, hemorragia, cefaleia, tonturas, fadiga, movimentos fetais diminuídos ou contractilidade.

Potenciais contraindicações à prática de exercício físico na gravidez são doenças pré-existentes como doença cardiovascular (por exemplo, hipertensão), asma ou diabetes mal controladas, alguns problemas osteoarticulares ou condições associadas à gravidez como hemorragia persistente, placenta prévia, anemia grave, pré-eclâmpsia, hipertensão gestacional ou indicadores de risco para parto pré-termo.

O exercício físico é seguro e tem muitas vantagens para a grávida, devendo ser discutido com o seu médico e ainda com o profissional da prática desportiva que a acompanhará.

Descomplicar a gravidez é um projeto do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS) que tem por objetivo eliminar mitos e esclarecer dúvidas da população acerca da gravidez.
Fabiana Castro, António Pinho e Maria Liz Coelho, Médicos Internos de Formação Específica de Ginecologia e Obstetrícia, são os responsáveis pelo desenvolvimento deste projeto, sob orientação de Médicos Especialistas.
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Bibliografia:
1. Physical Activity and Exercise During Pregnancy and the Postpartum Period: ACOG Committee Opinion, Number 804. Obstet Gynecol. 2020 Apr;135(4):e178-e188. doi: 10.1097/AOG.0000000000003772. PMID: 32217980.
2. FAQs – Exercise During Pregnancy (última revisão julho 2019) – disponivel em https://www.acog.org/womens-health/faqs/exercise-during-pregnancy.
3. Royal Australian and New Zealand College of Obstetricians and Gynaecologists. Exercise during pregnancy (C-Obs 62), 2020 – disponível em https://ranzcog.edu.au/RANZCOG_SITE/media/RANZCOG-MEDIA/Women%27s%20Health/Statement%20and%20guidelines/Clinical-Obstetrics/Exercise-during-pregnancy-(C-Obs-62).pdf?ext=.pdf.

NÁUSEAS E VÓMITOS NA GRAVIDEZ

 

As náuseas (enjoos) e os vómitos são sintomas bastante comuns na gravidez, afetando até 80% das grávidas. Embora a sua causa ainda não seja bem compreendida, parecem ao estímulo hormonal na gravidez, adaptação evolutiva e predisposição psicológica. Geralmente estes sintomas surgem numa fase precoce da gestação, antes da 9ª semana, e tendem a melhorar após a 14ª semana, embora em algumas mulheres possa prolongar-se até ao termo da gravidez.

As grávidas podem ter vários episódios de náuseas e vómitos durante o dia (frequentemente 1 a 2 vezes/dia). Apenas uma pequena percentagem pode desenvolver uma forma mais severa de náuseas e vómitos que se associa a desidratação e perda de peso (hiperémese gravídica). Esta situação, apesar de autolimitada, pode requerer a hospitalização transitória da grávida, para estabilização do quadro clínico.

 

Os vómitos são prejudiciais para o bebé?

 

Não. As náuseas e os vómitos geralmente não são prejudiciais para o bebé, mas podem afetar muito a qualidade de vida da mãe, nomeadamente a sua capacidade de trabalho.

 

O que posso fazer para melhorar os sintomas?

 

  • Reforçar a hidratação: beber 8-12 copos de água por dia, mesmo quando não tem sede.
  • Fazer refeições leves e fracionadas: comer em pequena quantidade, várias vezes ao dia.
  • Evitar alimentos ricos em gordura (difíceis de digerir). Preferir alimentos como arroz, banana, tostas e chá (costumam ser bem tolerados).
  • Evitar comidas condimentadas e odores intensos que previamente tenham desencadeado náuseas ou vómitos.
  • Tomar as vitaminas da gravidez.

 

Existe medicação segura para as náuseas e vómitos na gravidez?

 

Sim. Quando as alterações na dieta e do estilo de vida não são suficientes para controlar os sintomas deverá recorrer ao seu médico assistente para este avaliar a necessidade de iniciar medicação.

Vários medicamentos têm demonstrado a sua segurança na gravidez como, como por exemplo:

  • Doxilamina + Dicloverina + Piridoxina (Nausefe®).
  • Metoclopramida (Primperam®).
  • Suplementos de Gengibre.
Descomplicar a gravidez é um projeto do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS) que tem por objetivo eliminar mitos e esclarecer dúvidas da população acerca da gravidez.
Fabiana Castro, António Pinho e Maria Liz Coelho, Médicos Internos de Formação Específica de Ginecologia e Obstetrícia, são os responsáveis pelo desenvolvimento deste projeto, sob orientação de Médicos Especialistas.
Bibliografia:
1. Morning Sickness: Nausea and Vomiting of Pregnancy; American College of Obstetricians and Gynecologists. 2020.
2. Pregnancy sickness (nausea and vomiting of pregnancy and hyperemesis gravidarum). Royal College of Obstetricians and Gynaecologists; 2016.

CUIDADOS MAMÁRIOS NO PÓS-PARTO

 

Os benefícios do leite materno e da amamentação são hoje amplamente conhecidos, tanto para o recém-nascido como para a mulher. No entanto, a amamentação pode representar um momento de ansiedade e dor para a mãe, sendo essencial a prevenção de desconforto e potenciais complicações associadas, de forma a evitar o seu abandono. Para tal, é essencial seguir algumas rotinas:

  1. Posicionar corretamente o recém-nascido na mama de modo a prevenir a maceração do mamilo. De notar que, nas primeiras mamadas o mamilo encontra-se normalmente mais sensível podendo causar desconforto, independentemente da posição do bebé. Este desconforto é expectável diminuir até ao final da primeira semana do pós-parto.
  2. Evitar intervalos longos entre mamadas ou esvaziamento incompleto da mama, uma vez que a acumulação de leite pode deixar a mama endurecida, vermelha e quente – ingurgitamento mamário. Este pode ser evitado seguindo uma agenda de mamadas regulares ou, sempre que esta não é possível, efetuando extração manual ou com recurso a uma bomba de extração.
  3. A higiene da mama deve ser realizada uma vez por dia, durante a restante higiene corporal.
  4. As mamas e os mamilos devem ser mantidos secos, e deixados secar ao ar, sempre que possível. Deve ainda usar um soutien confortável e adequado à amamentação.
  5. O próprio leite pode ser usado para massajar os mamilos/aréola, antes e após a mamada, proporcionando assim a sua hidratação.
  6. Algumas mulheres referem alívio dos sintomas recorrendo ao uso de compressas mornas antes das mamadas, para facilitar a saída do leite, e de compressas frias após a mamada, para prevenir o desconforto.
  7. Se necessário, pode ainda recorrer ao uso de analgésicos, como o paracetamol, para o alívio da dor.

Amamentar é um processo natural e que normalmente decorre sem complicações. No entanto, deve estar atenta e procurar observação médica se apresentar:

  • Febre associada a uma região da mama mais endurecida e avermelhada;
  • Um nódulo mamário que não diminui com o esvaziamento da mama;
  • Saída de sangue pelo mamilo;
  • Dor que se mantém durante toda a mamada.
Descomplicar a gravidez é um projeto do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS) que tem por objetivo eliminar mitos e esclarecer dúvidas da população acerca da gravidez.
Fabiana Castro, António Pinho e Maria Liz Coelho, Médicos Internos de Formação Específica de Ginecologia e Obstetrícia, são os responsáveis pelo desenvolvimento deste projeto, sob orientação de Médicos Especialistas.
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Bibliografia
1. Breastfeeding Handbook for Physicians. 2nd Edition. Edited by Richard J. Schanler, Nancy F. Krebs, and Sharon B. Mass, 2013.
2. Landon MB, Galan HL, Jauniaux E, Driscoll DA, Berghella V, Grobman WA, et al. Gabbe’s Obstetrics: Normal & Problem Pregnancies. 8th Edition. ed. Amsterdam: Elsevier; 2021. p. 475-502.
3. Spencer J. Common problems of breastfeeding and weaning. In: UpToDate, Post TW (Ed), UpToDate, Waltham, MA. (Accessed on January 20, 2021.)
4. Spencer J. Patient education: Common breastfeeding problems (Beyond the Basics). In: UpToDate, Post TW (Ed), UpToDate, Waltham, MA. (Accessed on January 20, 2021.)

AUMENTO DE PESO NA GRAVIDEZ

 

O aumento de peso na gravidez é muito variável. A maioria das grávidas aumenta entre 10 a 12.5kg, sendo que este aumento ocorre maioritariamente após as 20 semanas de gestação.

Um aumento de peso inferior ao desejado acarreta um maior risco de abortamento, prematuridade e baixo peso ao nascimento.

Um aumento excessivo de peso acarreta maior risco de trombose, diabetes na gravidez, hipertensão e pré-eclâmpsia. Associa-se, ainda, a maior probabilidade de abortamento, malformações no feto e bebés com excesso de peso ao nascimento e com maior risco de diabetes e obesidade ao longo da vida. Por outro lado, procedimentos como a realização de ecografias, monitorização do feto e analgesia epidural são dificultados.

 

Então, qual o aumento de peso desejado na gravidez?

 

A resposta a esta questão depende de muitos fatores, sendo um dos mais importantes o Índice de Massa Corporal [IMC = peso em Kg / (altura em m)2] prévio à gravidez. Regra geral:

  • Uma grávida com baixo peso (IMC < 18.5Kg/m2) deverá aumentar 12.5 a 18kg.
  • Uma grávida com peso normal (IMC entre 18.5Kg/m2 e 24.9Kg/m2) deverá aumentar 11.5 a 16kg.
  • Uma grávida com excesso de peso (IMC entre 25Kg/m2 e 29.9Kg/m2) deverá aumentar 7 a 11.5kg.
  • Uma grávida com obesidade (IMC ≥ 30Kg/m2) deverá aumentar 5 a 9kg.

 

E o que posso fazer para ter um aumento de peso adequado na gravidez?

 

No início da gestação, a grávida deverá estabelecer com o seu médico qual o aumento de peso desejado. A sua dieta deverá ser diversificada e equilibrada, incluindo frutas, vegetais e fibras, com baixa ingestão de gordura e de alimentos com açúcar adicionado. Para além disso, a grávida deve manter-se ativa e praticar exercício físico regularmente*.

* Para mais informações sobre exercício físico na gravidez clique aqui para  consultar o  Descomplicar a Gravidez sobre Exercício Físico na Gravidez.
Descomplicar a gravidez é um projeto do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS) que tem por objetivo eliminar mitos e esclarecer dúvidas da população acerca da gravidez.
Fabiana Castro, António Pinho e Maria Liz Coelho, Médicos Internos de Formação Específica de Ginecologia e Obstetrícia, são os responsáveis pelo desenvolvimento deste projeto, sob orientação de Médicos Especialistas.
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Bibliografia:
1.The Royal Australian and New Zealand College of Obstetricians and Gynaecologists.Why your Weight Matters During Pregnancy, 2017 – disponível em https://ranzcog.edu.au/womens-health/patient-information-resources/why-your-weight-matters.
2.Centers for Disease Control and Prevention. Weight Gain During Pregnancy, 2020 – disponível em https://www.cdc.gov/reproductivehealth/maternalinfanthealth/pregnancy-weight-gain.htm.
3. Rasmussen KM, Catalano PM, Yaktine AL. New guidelines for weight gain during pregnancy: what obstetrician/gynecologists should know. Curr Opin Obstet Gynecol. 2009.

O QUE É MAIS COMUM SENTIR AO LONGO DA GRAVIDEZ?

 

A gravidez é um estado associado a muitas alterações hormonais, físicas e psicológicas. Estas alterações são diferentes ao longos dos três trimestres da gravidez. É importante salientar que cada mulher poderá ter sensações muito diferentes ao longo da gravidez, e mesmo entre as suas próprias gravidezes.

 

Quais são os sintomas/mudanças que poderá sentir em cada trimestre?

 

1.º Trimestre (até as 13 semanas + 6 dias)

 

  • Sentir aumento do volume e tensão mamária
  • Mamilos mais salientes
  • Vontade de urinar com maior frequência
  • Sentir-se mais cansada
  • Sentir náuseas ou vómitos
  • Aumento ou perda de apetite
  • Sentir-se mais frequentemente com azia ou indigestão
  • Sentir inchaço abdominal
  • Obstipação
  • Aumentar ou perder peso

 

2.º Trimestre (entre as 14 semanas e as 27 semanas + 6 dias)

 

  • Aumento de apetite
  • Melhoria das náuseas e do cansaço
  • Mamilos e aréolas podem escurecer
  • Podem aparecer estrias abominais
  • Podem aparecer manchas castanhas na pele da face
  • Os pés e os tornozelos podem inchar
  • Começam a sentir-se os movimentos do bebé *

 

3.º Trimestre (a partir das 28 semanas até ao final da gravidez)

 

  • Sentem-se movimentos mais fortes do bebé
  • Pode sentir-se uma ligeira sensação de falta de ar
  • Necessidade de urinar com maior frequência
  • Pode sair um líquido aguado, amarelado pelos mamilos (colostro)
  • O umbigo pode ficar mais saliente
  • Podem sentir-se contrações (aperto e dor abdominal) esporádicas

 

* Para mais informações sobre os movimentos fetais na gravidez pode consultar o “Descomplicar a Gravidez – “Movimentos fetais”(Link).

 

Descomplicar a gravidez é um projeto do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS) que tem por objetivo eliminar mitos e esclarecer dúvidas da população acerca da gravidez.
Fabiana Castro, António Pinho e Maria Liz Coelho, Médicos Internos de Formação Específica de Ginecologia e Obstetrícia, são os responsáveis pelo desenvolvimento deste projeto, sob orientação de Médicos Especialistas.
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Bibliografia:
1. American College of Obstetricians and Gynecologists: Changes During Pregnancy; Womens-health.2020