Barrigas e Rebentos

Logotipo projeto Barrigas e Rebentos do Serviço de Obstetrícia do CHTSBARRIGAS E REBENTOS
VIVENCIAR UMA PARENTALIDADE SAUDÁVEL E POSITIVA!

 

Tornar-se mãe e Tornar-se pai, é um momento único e inigualável na vida de um casal! No entanto, este não é um processo inato e intuitivo, suscita muitas dúvidas, o que muitas vezes dificulta o dia-a-dia de ser pai e mãe.

Somamos o fato dos internamentos estarem cada vez mais curtos, onde nem sempre é possível acompanhar o casal e o bebé da forma em todas as suas necessidades e, como gostaríamos. Assim, pretendemos ajudar e acompanhar o casal e o bebé mesmo após a alta! Surgiu, deste modo, a Barrigas e Rebentos!

Hoje, nunca tão desamparados, consideramos que podemos ser significativas para os nossos “recém-pais”, através de um simples apoio, onde o casal mais precisa: em casa! Seja esta no âmbito dos cuidados diretos ao Recém-nascido, por exemplo, higiene e segurança, amamentação ou mesmo até na vigilância e recuperação da mãe durante o pós-parto! Onde achar que precisa do nosso apoio!

Somos um grupo de Enfermeiras Especialistas de Saúde Materna e Obstétrica e Enfermeiras Conselheiras da Amamentação, do Serviço de Obstetrícia do Centro Hospitalar Tâmega e Sousa (CHTS), e estamos aqui para apoiar a vivenciar esta fase maravilhosa da vida: Ser mãe e Ser pai! Acreditamos que para isso é essencial aliar personalização e individualização dos cuidados, com o conhecimento da mais recente evidência científica!

Em suma, pretendemos auxiliar os nossos casais com o cuidar dos seus bebés em família, sem que, para isso, tenham de sair de casa, à distância de um clique ou de um scroll . Como?

  1. Através da pagina de internet do CHTS;
  2. Através da app My CHTS, disponível, gratuitamentamente, na Google Play e na App Store;
  3. Através do nosso e-mail: barrigaserebentos@chts.min-saude.pt;
  4. Através de um programa de Webinars;
  5. e futuramente, com consultas online.

Estamos aqui para responder às dúvidas, e a acompanhar os nossos casais, com o profissionalismo, sensibilidade, paixão que nos caracteriza.

 

Estamos aqui por e para si:

Por cada mamã, cada papá e cada bebé!

 

Nasceu um irmão

 

O nascimento de um irmão é motivo de felicidade, mas também, um acontecimento que implica mudanças estruturais e organizacionais na família, e por mais que esta se prepare, é inevitável a transformação no relacionamento com o(s) filho(s) mais velho(s), podendo surgir ansiedade nos pais e, sobretudo, na criança.

De um modo geral, as reações mais frequentemente observáveis nas crianças, durante a gestação e após o nascimento de um irmão, são comportamentos expectáveis, normais e transitórios desta fase de adaptação.

 

Que comportamentos podem surgir no irmão mais velho?

 

Pode surgir apatia, aumento dos comportamentos de confronto e de agressividade com a mãe e com o bebé, problemas no sono, nos hábitos de alimentação e de higiene, as crianças tornam-se mais implicativas, desafiadoras e por vezes, regridem nos comportamentos em que já mostravam autonomia (por imitação).

É igualmente frequente que estes comportamentos oscilem com períodos de atitude protetora e de curiosidade para com o irmão mais novo.

As atitudes apresentadas pela criança não devem ser condenadas e podem ser minimizadas através de algumas estratégias.

O entendimento dos pais e a forma como expressam os próprios sentimentos são fundamentais para ajudar o filho mais velho a lidar com as emoções perante a chegada de um novo membro à família.

 

Que estratégias podem ser adotadas pelos pais?

 

Para minimizar os comportamentos de “chamada de atenção” é basilar que os pais se preocupem com a preparação da chegada do irmão.

A antecedência desta preparação depende da idade da criança e a informação transmitida deve ser simples, concreta e verdadeira. Deve evitar-se que ocorram alterações à rotina do filho mais velho pouco antes do nascimento ou logo após este (por exemplo passar a dormir noutra cama, largar a chupeta…). Durante o período de tempo que a mãe permanecer no hospital a criança deve ficar com pessoas que lhe sejam familiares, de forma a não alterar muito a rotina que lhe era habitual. Para diminuir a angústia da separação a visita à mãe durante a hospitalização é importante.

Na chegada do novo elemento da família a casa a participação do pai nos cuidados ao filho mais velho é de crucial importância, uma vez que, a mãe estará mais dedicada ao filho mais novo.

Outra estratégia fundamental é o reforço dos comportamentos positivos que valorizem a criança, a sua autonomia, e a sua integração nos cuidados ao irmão mais novo, ainda que estes se resumam a pequenos gestos. Mesmo no meio do turbilhão de alterações que um recém-nascido traz a uma casa, é essencial que os pais consigam dedicar tempo e atenção exclusiva ao filho mais velho, nem que sejam 15/30 minutos por dia para brincar no jardim ou ler uma história, é importante que este sinta que continua a existir tempo para ele.

 

A importância da relação entre irmãos

 

A relação entre irmãos provavelmente será mais duradoura do que qualquer outra relação na vida de uma pessoa, e desempenha um papel essencial na vida das famílias. É um laboratório natural para a aprendizagem das crianças pequenas a respeito do seu mundo. É um lugar protegido e seguro para aprender a interagir com outras crianças que são parceiros interessantes e envolvidos em brincadeiras, para desenvolver formas construtivas de resolver divergências e aprender a regular emoções positivas e negativas.

Os benefícios do estabelecimento de relações afetuosas e positivas entre irmãos podem durar a vida inteira, entre eles incluem-se o sentido de responsabilidade de cuidar de alguém e de encontrar um modelo de referência no desempenho de um papel. Portanto, o relacionamento entre irmãos assume-se como uma grande escola para que cada um deles desenvolva empatia, aprenda a partilhar, debater, aceitar e amar outro indivíduo para além dele mesmo.

Os irmãos fazem parte da história pessoal de quem os tem, são importantes no desenvolvimento pessoal de cada indivíduo e integram algo único e precioso que é a partilha dos pais e de memórias.

A equipa Barrigas e Rebentos deseja um:
FELIZ DIA DOS IRMÃOS!

Enfª Joana Machado e Enfª Carla Cunha
Em colaboração com a equipa Barrigas e Rebentos, Serviço de Obstetrícia e Ginecologia do CHTS
barrigaserebentos@chts.min-saude.pt
Referências Bibliográficas:
Oliveira. D.S. (2013). Regressão e Crescimento do Primogênito no Processo de Tornar-se Irmão. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Vol. 29 n.1, pp.107-116.
Sá, E. (2020-05-13) – A depressão pós-bebé do irmão mais velho (post em blog). Retirado de eduardosa.com
Schroeder, C. S.; Gorden, B. N. (2002) Assessment and Treatment of Childhood Problems, 2ª ed. New York: The Guilford Press
Tosta, R.M. (2018). Tornar-se Irmão: o imaginário da Criança frente à gravidez materna e a chegada de um irmão. Psicologia Revista. Vol. 27, n. 1. ISSN: 2594-3871

Nasceu um pai

 

“Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem”

José Saramago

O nascimento de um filho é um acontecimento marcante na vida dos casais, um evento exigente e complexo para o qual é necessária disponibilidade de tempo e recursos, planeamento e dedicação.

A chegada de um filho não deverá ser apenas um projeto “na” nossa vida, mas sim, um projeto “para” as nossas vidas.

Tornar-se mãe/pai, impõem um conjunto de transformações internas e externas, as quais têm início ainda na fase de pré conceção. Para que esta transição ocorra de uma forma saudável, os futuros pais, esta nova família, necessitam não só de desenvolver conhecimentos e munir-se capacidades (inerentes aos cuidados ao seu filho, por exemplo), mas também, de iniciar um processo de reorganização individual, conjugal e profissional.

É culturalmente aceite que durante a gravidez o foco de atenção se centre na mulher e, posteriormente no pós-parto, passe para o recém-nascido. Mas e o PAI?

Apesar deste não poder experienciar as alterações fisiológicas decorrentes da gravidez como a mulher, no plano emocional, o pai pode sentir-se em tudo semelhante à mãe.

Ao planearem uma gravidez, ou mesmo perante a notícia da mesma, o homem vivência um misto de sentimentos e emoções. Pode se sentir alegre, realizado, assustado, preocupado e entusiasmado, ou até tudo em simultâneo. Com o conhecimento de que vai ser pai – sobretudo se for o primeiro, é muito provável que o pai se encontre dividido entre a dúvida e a excitação.

O nascimento de um filho, sendo ele planeado ou não, leva a que o homem, que se está a tornar PAI, se depare com uma série de imposições e incerteza que o farão reformular a sua forma de ser enquanto filho, marido, etc, que o incitam na construção do novo papel que irá desempenhar, o de PAI. Também, este vai criando expectativas relativamente à gravidez, ao bebé, ao estilo de vida que passará a ter depois do nascimento e do regresso a casa. E, neste processo intenso e nutrido de incertezas, também o pai se pode sentir perdido.

Por outro lado, é importante a compreensão da participação e envolvimento da mãe neste processo. A existência de uma relação de solidariedade, entreajuda e reconforto psicológico, beneficia a relação do casal, e é um determinante para a qualidade da interação da díade pai/filho.

Temos vindo a observar a mudança daquilo que se considera ser “o pai” na sociedade. Uma redefinição do olhar sobre as dimensões biológica, social e psicológica da paternidade onde surge a imagem de um PAI sensível, ativo e envolvido nos processos de família. Atualmente, estamos perante um PAI presente e participativo, desde o acompanhamento à mulher nas consultas pré concecionais, na vigilância no pré-natal (consultas, exames etc.), como também na preparação para o parto e parentalidade e posteriormente na prestação ativa nos cuidados ao filho.

Por outro lado, é sabido hoje, que o PAI apresenta um papel preponderante no desenvolvimento físico e cognitivo dos seus filhos.

Este é uma referência na vida do seu filho e, é de extrema importância que se promova de forma efetiva a ligação e o contacto PAI-filho e o seu envolvimento nos seus cuidados desde os primeiros tempos de vida, permitindo assim um exercício pleno da paternidade.

Compreende-se assim, que a figura paterna representa não só segurança, responsabilidade, realidade, autoridade, disciplina e brincadeira, como a disponibilidade e afeto, adaptando-se a diferentes papéis e funções dentro da família.

Ser PAI, é um processo de aprendizagem e construção, que se desenvolve com o tempo. O homem não nasce pai, ele torna-se pai!

Feliz Dia do Pai!

A equipa Barriga e Rebentos,
Serviço de Obstetrícia e Ginecologia do CHTS.
barrigaserebentos@chts.min-saude.pt

Tornar-se Mãe

 

A maternidade é um momento único na vida da mulher, que passa a assumir, a incorporar, a integrar um novo papel, o de Mãe.
Mãe (também chamada de progenitora ou genitora) é o ser do sexo feminino que gera uma vida em seu útero como consequência de fertilização ou que adota uma criança ou filho, que por alguma razão não pode ficar com os seus pais.

Com a chegada de um filho e, consequentemente,  a transição para a parentalidade, ocorre um conjunto de transformações, nomeadamente, a nível biológico, psicológico e emocional, que  levam à alteração da identidade da mulher de forma irreversível.

Depois do nascimento de um filho, a vida de uma  mulher nunca mais é a mesma, esta marca um ponto de viragem, ela passa a ser responsável por si mesma e por um ser que identifica como ser vulnerável, o seu filho/filha.

Esta fase faz com que, por vezes, se anule enquanto mulher, enquanto pessoa e direcione toda a sua energia, a sua ação para cuidar do seu filho/filha quase de forma exclusiva e momentos rotineiros como autocuidar-se, alimentar-se tornam-se momentos difíceis de integrar no seu dia-a-dia.

A mulher, agora mãe, vivencia uma fase de grande sensibilidade, vulnerabilidade, ansiedade e preocupação, ou seja, ocorrem diversas mudanças, nomeadamente, a nível social, a nível profissional. Essas mudanças podem interferir na sua auto-estima e alterar toda a sua dinâmica diária, atividades com o autocuidado, o descanso/lazer podem estar alteradas, ou seja, a mãe deixa de ter tempo para tratar de si.

O próprio casamento/relacionamento sofre alterações/ ajustes, mas é importante manter os momentos íntimos, de romance, de namoro, assim como momentos de individualidade, pelo que é importante o diálogo de forma a que cada um desempenhe o seu papel. O de mãe, o de pai, de forma individualizada e não de forma exclusiva.

Assim é importante que as mães sejam capazes de pedir ajuda e não adotem uma atitude altruísta, a mulher não deixa de ser mulher, não deixa de ser esposa, não deixa de ser alguém único.

A mãe assume um dos mais exigentes e complexos papéis no seio familiar, que se evidencia essencial para assegurar a sobrevivência, a segurança e o bem-estar do seu filho. Ser Mãe é amor, é afeto, é carinho, é proteção.

A Mãe é a referência, o porto de abrigo, a ligação mãe-filho é uma ligação que não se extingue quando se corta o cordão umbilical, ela intensifica-se a cada dia, o que faz do papel de mãe um dos papéis mais sensíveis da existência da vida da mulher.

É o Amor que nos torna Mãe.

Enf.ª Ângela Queirós, Enf.ª Diana Leite, Enf.ª Fátima Rocha, Enf.ª Helena Barros, Enf.ª Raquel Silva, Enf.ª Tânia santos

Serviço de Obstetrícia
Em colaboração com o projeto Barrigas e Rebentos.

Referências:

• Teixeira, R.,et al. (2015). Necessidades de asistencia em salud a mujeresen el post parto. Escola Anna Nery, 19 (4), doi:10.5935/1414- 8145.20150083;
World Health Organization (2018) WHO recommendations:intrapartum care for a positive childbirth experience.

A chegada do bebé a casa

 

A chegada de um filho provoca grandes alterações, quer a nível da rotina diária, quer até ao nível de afetos e o regresso a casa após o parto é um desafio.

Ao longo da gravidez é importante preparar este regresso a casa, antecipando algumas necessidades,de forma a evitar situações que acresçam mais tensão àquela que já é expectável nos primeiros dias, potenciando assim o ambiente calmo e seguro.

Posto isto, deixamos alguns conselhos para tornar esta mudança mais suave:

  • Deixar a casa limpa e organizada – desta forma é possível antever se falta algo e, assim, resolver atempadamente e com calma o que pode falhar. Por outro lado, uma casa limpa é importante para a saúde e bem-estar do bebé;
  • Fazer a lista de produtos essenciais e bens alimentares, tais como papel-higiénico, produtos de limpeza e higiene, fraldas, toalhetes, etc.e ir às compras antecipadamente;
  • O quarto do bebé: Relembramos que o quarto do recém-nascido deve ser bem ventilado, com janelas seguras  e afastadas da cama do bebé;
  • Se as paredes forem pintadas, devem ser com tinta não tóxica e lavável;
  • O chão deve ser antiderrapante e fácil de limpar, os tapetes são dispensáveis, mas,se colocados, devem estar fixos ao chão ou na mobília do quarto;
  • A temperatura ambiente do quarto deverá ser mantida entre os 20º/22º C;
  • Relativamente ao berço e/ou cama: Se berço e/ou cama, este deve ser estável e sólido, com grades que apresentem no mínimo 60 cm de altura e seis centímetros de distância entre elas e com fecho de segurança. O estrado deve ser plano, rígido e sem arestas cortantes ou saliências no interior e o colchão deve ser impermeável, firme e bem-adaptado ao tamanho da cama.Se alcofa, esta deve ter bordos altos e acolchoados, para evitar que a criança caia e se magoe, e um fundo rígido e plano;
  • A roupa da cama deve ser de algodão e feita “aos pés da cama”;
  • Os cuidados de roupa do recém-nascido: porque poderão estar expostas nas lojas (são tocadas por muita gente) todas elas, mantas e fraldas de algodão, inclusive, devem ser lavadas previamente num programa extra enxaguamento e com detergente específico para bebé. Se colocar a secar ao ar livre, deve-se de passar a ferro. Para além de lavar, deve-se cortar todas as etiquetas, para que estas não causem algum tipo de irritação na pele do bebé;
  • Outro aspeto importante a abordar no regresso a casa são as visitas. A predefinição, em casal, de horários e número de elementos na visita é preponderante para a sua organização, evitando assim aglomerados no mesmo horário e assegurando momentos de descanso individual e de casal /recém-nascido. Antecipadamente, conversar com os familiares e amigos expondo este ponto de vista. Visitas que possam estar adoentadas, devem ser evitadas. Ressalve-se que nesta fase pandémica, as visitas devem de ser interditas.

Sabemos a importância do animal de estimação enquanto elemento da família. Por conseguinte, torna-se igualmente importante preparar o amigo de quatro patas:

  • Este deve tomar banho e ter as vacinas e a desparasitação atualizadas;
  • Antes de apresentar o recém-nascido, levar uma fralda/roupa que tenha estado em contacto com o bebé, apresentá-la ao animal para que este sinta o cheiro e se acostume ao mesmo, de modo, a que não estranhe no dia que o conheça.
  • Nunca deixar o(s) animal(ais) sozinho(s) com a criança.

Chegar a casa com um filho nos braços implica novas rotinas, pelo que a comunicação e o trabalho em equipa eficaz entre o casal é basal.Se as responsabilidades forem repartidas, será mais fácil lidar com esta nova etapa.

Desejamos a todos um bom regresso a casa!

A equipa Barriga e Rebentos,
Serviço de Obstetrícia e Ginecologia do CHTS.

barrigaserebentos@chts.min-saude.pt

Bibliografia:
Associação para a Promoção da Segurança Infantil. (2018).Disponível na internet em URL: https://www.apsi.org.pt/index.php/pt/.Lisboa
Cardoso, A. (2011). Tornar-se mãe, tornar-se pai – estudo sobre a avaliação das competências parentais. UniversidadeCatólica Portuguesa: Tese de Doutoramento;
OMS (2017) WHO recommendations on newborn health: guidelines approved. the WHO Guidelines Review Committee. Geneva: World Health Organization; (WHO/MCA/17.07). Licence: CC BY-NC-SA 3.0 IGO